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"O meio de campo brasileiro nessa Copa do mundo era um vazio, um vácuo, um buraco, uma fome. Era o espaço entre, de onde deveria se criar jogadas e conduzir a bola da defesa ao ataque. Despovoá-lo ou ocupá-lo com peças nulas é um erro tático primário da comissão técnica brasileira e, portanto, só pode ser proposital.

O que defendo aqui é que esse meio de campo esvaziado de sentido e forma, de conteúdo e de moral, de ética e estética é o mais profundo desejo de criar uma área livre de movimentação a ser usada por seres humanos (no caso, os adversários). E um sonho, um delírio desses, só pode surgir de uma antítese do congestionamento, das pistas cheias, dos carros apertados e que impedem o jogo do fluxo de acontecer.

Felipão, tendo no meio de campo da seleção da CBF seu avatar nos diz em mantra: andem, andem, andem, andem, andem, andem, andem.”

Lielson Zeni.

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Associado n°37: Jef

J. R. Bazilista(vulgo Jef) é escritor e quadrinista, corintiano e anarquista. Publica algumas coisas no http://hqtaxidermia.blogspot.com.br/. Acredita que “a Grande Graphic Novel” ainda não foi escrita e tem certeza que não será escrita por ele.

, #são paulo sa #são paulo #trânsito #copa do mundo #brasuil #nãovaitercopa #lielson zeni #jef #quadrinhos #comics #artists on tumblr #a vaca voadora

Mais uma da Confuse-A-Cat Estúdios! Um antigo cartaz de trânsito de São Paulo monty-pythonizado e com ajuda dos amigos Marinetti, Álvaro de Campos e Carlos Drummond de Andrade nos textos.
Semana passada o Geraldo não teve condições de comparecer, abalado pela destruição de diversos carros por vândalos infiltrados entre os black blocs e aproveitou pra passar o feriado vendo os jogos da Copa e recuperar o fôlego.
Encerramos esse relatório com o poema do meu amigo Tony Fred:
“Oh! Bendito o que semeia Carros… carros à mão cheia… anda pelas ruas triunfais! O carro se indo n’alma É buzina — que tira a calma, É chuva — que não tem mais.”

Lielson Zeni. 

Mais uma da Confuse-A-Cat Estúdios! Um antigo cartaz de trânsito de São Paulo monty-pythonizado e com ajuda dos amigos Marinetti, Álvaro de Campos e Carlos Drummond de Andrade nos textos.

Semana passada o Geraldo não teve condições de comparecer, abalado pela destruição de diversos carros por vândalos infiltrados entre os black blocs e aproveitou pra passar o feriado vendo os jogos da Copa e recuperar o fôlego.

Encerramos esse relatório com o poema do meu amigo Tony Fred:

“Oh! Bendito o que semeia 
Carros… carros à mão cheia… 
anda pelas ruas triunfais! 
O carro se indo n’alma 
É buzina — que tira a calma, 
É chuva — que não tem mais.”

Lielson Zeni. 

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Caro Geraldo,

Sabia que você tem sorte de ser ficcional?

Sim, só os seres-ficção recebem cartas (e mandam também – não discutirei a ideia de personagem narrador e de que sempre atuamos etc – – pensa nisso quando tiver parado no trânsito, hehehehe). Mas é mais do que as cartas.

Sabe, Geraldo, mesmo preso no trânsito pra sempre (o que é um pouco menos que um paulistano fica), você não existe. Nunca vai acontecer com você o que eu vi hoje no terminal de metrô (fechado por causa da greve): um homem sendo atendido pelos bombeiros e assistido por umas 40 pessoas, ali entre a vida e a não-vida (eu uso hífens a despeito da gramática normativa: sim).

Você, Geraldo, até fica ali entre a ficção e a não-ficção, mas bem no fim, é mimese de algum nível.

Quando voltei nesse metrô (depois de passar em outros dois, também fechados, também greve) o homem não estava mais. Só seu corpo embrulhado num saco prateado. Do lado alguém colocou umas flores.

Mas não era. Era só um guarda-chuva florido. Do lado do pacote tamanho de homem, com um corpo sem homem dentro, um guarda-chuva estuporado.

A gente morre, Geraldo. Tu não!

Abraço!

Lielson Zeni
Dungeon Master da Confuse-A-Cat Edições

PS – lembrei de Uma vela pra Dario, do Trevisan. Leia!

Caro Geraldo,

Sabia que você tem sorte de ser ficcional?

Sim, só os seres-ficção recebem cartas (e mandam também – não discutirei a ideia de personagem narrador e de que sempre atuamos etc – – pensa nisso quando tiver parado no trânsito, hehehehe). Mas é mais do que as cartas.

Sabe, Geraldo, mesmo preso no trânsito pra sempre (o que é um pouco menos que um paulistano fica), você não existe. Nunca vai acontecer com você o que eu vi hoje no terminal de metrô (fechado por causa da greve): um homem sendo atendido pelos bombeiros e assistido por umas 40 pessoas, ali entre a vida e a não-vida (eu uso hífens a despeito da gramática normativa: sim).

Você, Geraldo, até fica ali entre a ficção e a não-ficção, mas bem no fim, é mimese de algum nível.

Quando voltei nesse metrô (depois de passar em outros dois, também fechados, também greve) o homem não estava mais. Só seu corpo embrulhado num saco prateado. Do lado alguém colocou umas flores.

Mas não era. Era só um guarda-chuva florido. Do lado do pacote tamanho de homem, com um corpo sem homem dentro, um guarda-chuva estuporado.

A gente morre, Geraldo. Tu não!

Abraço!

Lielson Zeni

Dungeon Master da Confuse-A-Cat Edições

PS – lembrei de Uma vela pra Dario, do Trevisan. Leia!

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